Quinta-feira, 21 de Setembro de 2006

Pureza do interior

 

O dia a dia começa a tornar-se insustentável com constantes desavenças nas casas, João não é bem aceite, continuando a corresponder com um comportamento sempre educado. Os pais esperam que ao mudar-se para Coimbra na conclusão do curso esqueça este amor que acreditam ser passageiro. Ele anseia a chegada do momento do regresso à cidade dos estudantes sem esquecer que terá de deixar de ver quem ama, angustiado, já não sabe o que desejar, vive uma confusão mental irresolúvel. Ela receia cair no esquecimento, no isolamento com a mãe que rejeita.

- João, vais para Coimbra? - questões inquietas de quem ama e sente que ali está a única companhia amiga. - A situação está muito má e tenho de acabar o curso que gosto e pelo qual sempre lutei, mas estaremos juntos nos fins de semana - pensando que consolava a cada vez mais perturbada mulher que depende de si. Ela chora de raiva e de despero - Tudo me corre mal! Agora que te conheci, vais-me deixar ficar sozinha... - as lágrimas escorrem limpídas na face cansada de sofrimento... A inércia enervante de João resulta da impotência em corresponder a tudo como pretendia. - Vou contigo. Nada me prende aqui, és a única pessoa que tenho neste Mundo; choram ambos, ele não se controla ao sentir como era vital para alguém que não vive sem o seu carinho. 

Com a coragem que os uniu decidem sair os dois para Coimbra contra tudo e todos, não podiam abandonar o que inexplicavelmente construiram com um carinho sincero. As faces mudaram, as lágrimas secaram e deram lugar a sorrisos nervosos e felizes...estes dois tornam-se inseparáveis subitamente com uma força instransponível.

Os planos teriam de ser bem organizados para que não fossem descobertos pelo menos no imediato. Encontrando-se no ninho de amor, proibido pelos pais quando souberam e que João com astúcia conseguiu superar com um duplicado da chave, selam o pacto com um prolongado beijo com sabor de ácidas lagrimas e força de amar na união da carne.

As barreiras colocadas vão sendo derrubadas, à medida que isto acontece fortalece o sentimento puro de uma compatibilidade que se adquire uma vez, quando nesse preciso momento se agarra o complemento do ser que somos cada um de nós. Numa ingenuidade natural, a precocidade de tão forte e antagónicamente madura convicção é uma mera sensação. Todavia, o futuro encarregar-se-á de demonstrar inteligência da decisão, desta vinculação, aderência irracional; um dia mais tarde comprovarão o acerto ou desacerto de uma opção, que tomada e mantida com tamanha veemência deverá materializar-se na solidez afectiva de quem ultrapassa tudo a dois contínua e progressivamente...           

publicado por jaimepedrosa às 12:20
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