Quarta-feira, 18 de Outubro de 2006

Para que te quero?

 

Eduardo isolava-se mais que o habitual pela incontornável fuga dos antigos colegas.

 

Numa destas noites de solidão, no quarto, arrisca-se a refugiar-se uma vez mais na alucinação provocada. Completamente pedrado, cai sobre a cama, flutua, entrando num estádio que entendia ser de superior elevação.

 

 Finalmente, o pai desconfia e chama-o junto à porta. – Eduardo abre a porta! Ele não responde, está perdido num transe. – Abre a porta agora! Sem resposta e pensando já o pior, a confirmação dos mais perigosos prognósticos. O pai com violência derruba a porta, vê com os seus olhos aquilo que sempre recusou a aceitar e pensava ser um problema de pobres e miseráveis. O seu filho é também alvo deste drama social. – Meu filho o que andas a fazer? Num monólogo mudo sem contestação e desesperado, chora junto da mulher. – O que fizemos para merecer isto? O desespero familiar é uma realidade da qual não se podem esconder. Tomando o pulso a Eduardo, como abstractamente nunca fizeram, quando o vêm prostrado naquela cama, num quarto de príncipe como todos os miúdos ambicionariam ter, o coração bate num expressivo ritmo imparável.

 

– Temos de o levar ao Hospital já! A mãe, que justificadamente alertou num passado bem recente, abraça o marido com as faces em lágrimas. O casal não conhecia a união que surge como que do nada quando a desgraça se abate sobre o meio familiar.  

 

Já numa ambulância, Eduardo, que ainda sonha, é transportado ao hospital. – O que faz aqui este rapaz de uma família tão poderosa? Perguntam-se os enfermeiros, conscientes e informados do contexto social decadente presente e exposto ao seus olhos diariamente. – Ao que nós chegamos. Ninguém escapa. Desabafam, descrentes num futuro melhor, fumando e abanado a cabeça com negação veemente à porta do hospital num curto momento de pausa da correria intensa diária do profissional de saúde …           

 

publicado por jaimepedrosa às 10:23
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1 comentário:
De Joaquim Amândio Santos a 18 de Outubro de 2006 às 17:58
boa base, bom enredo, ritmo satisfatório merecendouma revisão que incuta intensidade de acutilância verbal e estrutural!

Grande abraço!

JAS

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