Sábado, 6 de Janeiro de 2007

Uma vida nova...

Luísa tem orgulho em Miguel, para além da atracção vibrante que a imagem dele lhe provoca, tem uma personalidade que admira. O carinho que demonstra ter por ela, o respeito com que sempre a tratou, a bondade para com aqueles que são mais desfavorecidos.

Luísa, nos tempos de faculdade era uma das raparigas mais pretendidas e nada a demoveu da ideia de estar com o namorado que escolheu. Narciso fez de tudo para a cativar, um rapaz que pensava que o dinheiro poderia comprar tudo aquilo que queria. Narciso era o típico jovem convencido, que sustentando as suas convicções de superioridade no poder e no dinheiro, não obstante a qualidade da figura de aparência muito aceitável, julgava ser o dono de tudo. Não foram as boas roupas e os bons carros que fizeram Luísa vacilar, ela não era igual à maioria e, retirando o gosto por ligeiras extravagâncias, caracterizou-se desde sempre pela simplicidade e modéstia.    

Ela não se deixou impressionar pela abundância da família do seu pretendente. Sabendo Luísa do feitio irascível de Miguel em questões amorosas, evitou dizer-lhe o assédio de que foi alvo. Pelo que, a frontalidade com que ele lhe conta as situações em que é envolvido incrementam o seu fascínio. O seu objectivo nunca foi omitir nada, todavia as circunstâncias obrigavam a que usasse este meio para proteger os dois.

Miguel, nos primeiros tempos de namoro pensava que o seu bom aspecto e bons sentimentos fossem insuficientes para Luísa. As moderadas referências a atracção por objectos de bom gosto e por inerência dispendiosos provocavam-lhe hesitação, receando que pudesse ser impressionável por dinheiro. Eram coisas que Miguel não lhe podia proporcionar. O passar dos tempos veio negar este pressentimento, aliviando e confortando Miguel.




Desde cedo Miguel não foi muito favorecido a nível material e sentimental. O primeiro filho de um jovem casal sem rumo certo, pais desempregados, apenas com o apoio dos avós poderia ter uma educação dentro dos parâmetros normais. Pela imprudência dos pais viveria na mais profunda miséria. Este filho surgiu de um dos muitos actos de devaneio dos pais que viviam intensamente a cultura hippie na década de 70. Á custa do esforço dos avós conseguiu estudar e passar continuamente de ano com mérito reconhecido pelos professores. Mas, na infância a crise agudizou-se, os maus tratos que o pai infligia na sua mãe na casa dos avós paternos, onde todos moravam, provocavam um ambiente difícil de aguentar. Foram cinco anos de constante violência física e verbal perante a passividade dos avós. Tudo terminou num divórcio atribulado. Um pai que amava, mas que agredia quem gostava, uma dupla personalidade difícil de explicar e entender para Miguel. Com o processo de divórcio concluído e os caminhos dos pais separados, finalmente Miguel conseguiu aos cinco anos ter um ambiente mais favorável, ao viver somente com os avós, visitando regularmente os pais que entretanto refizeram as suas vidas, adquirindo uma maior maturidade e estabilidade.     

 

 

    

publicado por jaimepedrosa às 17:17
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