Quinta-feira, 11 de Janeiro de 2007

Uma vida nova...

O pai de Miguel sempre esteve ligado a um modo de vida fácil, o dinheiro que amealhava era de alguns negócios duvidosos em que constantemente aldrabava o próximo. No escasso convívio que Miguel teve com seu pai na infância e adolescência, apercebia-se a espaços da ilicitude latente na actuação do progenitor. Não se identificando com esta forma de agir, tratou de seguir a conduta correcta dos avós que o fizeram crescer.
Após o divórcio, o comportamento de Osvaldo, o pai de Miguel, alternou entre uma vida mundana e frustradas tentativas de assentar junto de algumas companheiras fugazes. O problema ia sempre esbarrar num único sentido – a violência física e verbal. Ele era testemunha dos sucessivos hematomas que surgiam nas ditas madrastas. Osvaldo conseguiu realmente a proeza de voltar a casar. A infeliz que acreditou ser possível a mudança de um temperamento impulsivo, por vezes de cariz psicopata, não tardou em sofrer as consequências da ira súbita e injustificável provocada por zangadas igualmente inadequadas e descabidas. Já era com naturalidade que o filho encarava estas situações. Por sorte o convívio com o pai também se cinge apenas ao escasso fim-de-semana por cada quinze dias. Miguel tentava ser um pequeno psicólogo que o pai necessitava, era impressionante a maturidade que tinha mesmo enquanto criança.
Com apenas doze anos, numa tarde em que passeava com o pai, interpela-o com um ligeiro nervosismo: Pai, porque batias na mãe? Um olhar tímido e triste…o pai irritado, incomodado pela inquietação do menino: a culpa não é minha, um dia vou-te explicar os motivos do meu comportamento. Assim, fugia à frontalidade das questões difíceis. Com delicadeza pega no filho e coloca-o aos seus ombros no extenso espaço verde em que passeiam e jogam a bola.
De facto, o estranho comportamento de Osvaldo até se reflectia nesta ideia: agressivo para as mulheres, mas sem nunca bater no seu menino. Ele sentia carinho pelo pai, porém também alguma pena pela frustração sentimental que o assola.
publicado por jaimepedrosa às 18:08
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