Terça-feira, 29 de Agosto de 2006

Pureza do interior

 

Como tinha sido incrível aquele momento, pensam ambos agora...

João regressa na escura madrugada e entra em casa de forma imperceptivel. No dia seguinte, o ânimo resplandecia contrastando com o ar sisudo dos dias anteriores. Após um alegre pequeno almoço seguia-se a ajuda ao pai na mercearia, um trabalho ligeiro para evitar a preguiça. Ia entrar no último ano de engenharia civil, que fez sem interrupções por ser aluno aplicado. O regresso a Coimbra estaria para breve. Hoje trabalha desejando que chegue rápido o final do dia.

Enquanto João se entretia a trabalhar, Lurdes iniciava as árduas tarefas do seu emprego; não era avessa às dificuldades, porém falta-lhe o hábito de sujeição a ordens. Acresce a inveja das colegas à sua beleza ímpar que a colocam à margem e lhe dificultam a integração. No final do primeiro dia, extenuada, sabe que a situação financeira actual não lhe permite desistir, restando-lhe uma necessária conformação. João viu Lurdes sair ao final da tarde, mas, para não se intrometerem, resistiu e continuou para acabar o pouco serviço que faltava e em breve procuraria-a. 

A meio das suas arrumações reflecte: Porque é que estaria ela agora a trabalhar na fábrica da cortiça?Alguma coisa se passava e, preocupado, não deixará de saber nessa noite.

Lurdes ao fim de um dia destes só a esperava um bom banho e esquecer os problemas que a afectam. Atirando com vigor a roupa de operária para o chão, mergulha numa relaxante banheira de espuma, fechando os olhos para que os sentidos se afastassem das conversas irritadas dos pais que reclamam dos bolsos quase vazios; agora o pensamento flui no principesco homem que espera que a visite esta noite. Ela quer abrir-se com alguém que a ouça e que a ajude a passar estes momentos e pensa que a pessoa indicada será João. As suas amigas não teriam a maturidade suficiente para a compreender e este homem ela quer que seja o seu confidente, o amigo que procurava e não encontrava; confia nele, no seu íntimo algo lhe diz que deverá abrir-se com ele e é nesta inspiração que se baseia e que a moverá...

 

 

 

 

 

 

  

publicado por jaimepedrosa às 19:33
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1 comentário:
De Joaquim Amândio Santos a 12 de Setembro de 2006 às 16:43
Por detrás da capa do ritmo singelo de um traço operário, a languidez que invade os sentidos.
por detrás da mediania do dia, a ânsia prounda dos desejos que comandam a alma.

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