Sexta-feira, 21 de Julho de 2006

Pureza do interior

 

No caminho para a sala de refeições, Bernardo cruza-se com Carolina: - Boa noite menina Carolina! Está lindissima, como sempre! E o azul combina perfeitamente com os seus olhos. Carolina sentiu que tinha mais um admirador a juntar ao extenso rol, a sua auto-confiança inspira fascinação em quase todos; João foge à regra comum. - São os seus olhos Bernardo, atira ela convencida como lhe é habitual e com uma falsa modéstia indisfarçável aos mais atentos. Ele, sem dúvida, não era desatento e eram precisamente estes modos que lhe incutiam um selvagem intuito e fantasia de a possuir com rudeza. A Bernardo os sentimentos pouco dizem e a atracção física materializada no acto sexual satisfaz o seu ego na plenitude. Eventualmente, teremos, neste caso duas personalidades similares. Continuando: - Faça o favor de sentar menina Carolina. E nestes requintes interesseiros ela revia-se, podendo ter aqui o meio de esquecer os encantos do inatíngivel Sousa. Agora à mesa tinhamos todos os seis e a conversa versava sobre os negócios de família. João ouvia atento, mas pouco intervinha. Rui parece encantar-se com Cláudia, a jovem amiga de Carolina que, sob  minuciosa e experimentada observação de negociante, vai entrando gradualmente no imaginário do virtuoso jovem adulto; parecia-lhe diferente das outras oportunistas com que tem lidado recentemente, uma rapariga interessante sem ser um modelo de beleza universal e , acima de tudo, simples, tal como o que predestinou para si e que, até ao momento, escasseavam ao seu redor. Não se coibiu de se desafiar e, aproveitando a proximidade que a disposição da mesa lhe atribuia: - Menina Cláudia, estou seriamente a gostar deste convívio e vejo aqui que partilhamos diversas opiniões do comércio dos vinhos e da exportação, para além do que dispomos de interesses confluentes; gostaria de me acompanhar num passeio pelas ramadas frescas da pousada? A simpática Cláudia, mostrando solicitude e uma escondida primeira atracção, aceita o convite. Não escondendo o olhar sobre o delicioso decote de Carolina, Bernardo vai dando parte dos seus negócios recentes, esquecendo-se, por inconveniência pontual, que quase todos tinham a fulcral colaboração do pai. João, mesmo sabendo da realidade, como é seu timbre, não se intromete, estando contente a observar a fácil envolvência de Carolina na conversa do charlatão seu amigo, antevendo  que, com isto, a mais feroz das suas fãs, deverá abandonar as inutéis pretensões sobre ele.

João perdeu subitamente a concentração na conversa entediante que assistia e viaja agora em pensamentos naquela que aumenta a frequência de permanência nos sonhos do anoitecer e agora também, cada vez mais, dos dias de um menino constantemente noutras puras e ternurentas paisagens...         

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publicado por jaimepedrosa às 23:52
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Quarta-feira, 19 de Julho de 2006

Pureza do interior

É chegada a época das férias escolares. Após conversas persuasivas com Bernardo e Rui, o mais novo dos Sousas aceita passar o fim de semana com os amigos na melhor pousada rústica alentejana. Os planos para novas aventuras estavam a ser geometricamente elaborados no desconhecimento do recatado e pacato João. As malas estavam prontas e partiram rumo ao destino campestre. Quando lá chegados verificam que estavam alojados no mesmo andar que a menina Carolina e amigas; curiosamente, três amigos e igual número de raparigas. Os cumprimentos circustanciais e diálogos triviais seguiram-se até porque todos já eram conhecidos. Bernardo coloca as roupas no quarto juntamente com Rui. Os cochichos iniciaram-se e a excitação pela proximidade de tão jovens e agradáveis companhias transmite-lhes uma ansiedade incontrolável. 

Bernardo teria a idade de João, mas era estupidamente bronco, rico no bolso, mas pobre de juízo, inconsciente e de modos rudimentares; na face morena cresce-lhe uma floresta de pêlos que teima em não retirar para lhe dar um ar de homem maduro, o cabelo estende-se desde a frente à nuca com uma camada gordurosa e pastosa de gel; o fanfarrão do grupo, sedento da glória que os méritos do baixo ventre lhe poderiam conferir. Possivelmente, atrás das compulsivas histórias ou, quem sabe, de sonhos fantasiosos, esconde-se um jovem frustado em potência...

Rui revela uma maturidade mais elevada, é trabalhador e já cria a sua riqueza desde cedo, um homem que se faz a si próprio pela força do trabalho. Como não nasceu num berço de requinte, aprendeu bem cedo que teria um duro caminho a percorrer para conseguir o conforto de bens. A sorte e a audácia contribuiram para que enriquecesse. Todavia, a atitude não era a de novo rico, mas da modéstia que João preza e que o faz ser um exemplo que saudávelmente adoptou para si. Como solteiro procurava uma companhia para construir o lar genuinamente tradicional que pretendia. Quem olha para Rui fica com a convicta sensação de lidar com uma boa pessoa, a confiança segura que transmite e feições arredondadas pouco polidas de bonacheirão simpático tornaram-no um jovem empresário bem sucedido e apetecível das moças da freguesia. 

O jantar servia-se na pousada Rodrigos e todos se preparam para descer à sala de refeições...

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publicado por jaimepedrosa às 20:11
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Pureza do interior

 

Quando iria voltar a ver a menina Lurdes? A ansiedade apodera-se dele, vai acumulando coragem suficiente para se revelar na próxima oportunidade. A timidez era o traço de personalidade que mais gostaria de expurgar de si, são constantes os duelos entre o querer e o alcançar em que vence sempre o mesmo.

Os pais orgulham-se do bom filho, o menino bem comportado, a adoração da família. O interesse será uni-lo a uma das filhas dos Cerqueiras, família riquíssima dedicada à produção e comércio  de alguns dos melhores vinhos da região. Os convívios organizados entre os Sousas e os Cerqueiras, para além dos óbvios e tradicionais negócios eram pretexto para a criação de uma união entre João e Carolina, filha de Augusto e Catarina Cerqueira; o objectivo seria o fortalecimento económico e social que advém da fusão dos nomes pelo matrimónio. Os pais, contudo, não imaginam que o que a eles os uniu em tempos idos poderá não ser solução no presente. E de facto, João detesta Carolina, irrita-o os tiques de superioridade, a falta de humildade, a vaidade desmesurada, produção artificial, o futil interesse por bens materiais acessórios e superfluos.Ele é o oposto, abdica de todos os luxos que lhe poderiam ser proporcionados, vive numa modéstia confortável da qual não exige mais; outros valores são os que o movem. Tais feitios e personalidades tão díspares serão inconciliáveis.

Carolina tem uma atracção louca por João, o seu ar de menino na forma de um corpo de Deus grego provoca-lhe suores, sonhos regulares e extenuantes. O desejo inflamável de tocá-lo conjugado com as vibrações de mulher tórrida e insaciável levam-na a tentar tudo para consegui-lo. João ignora-a, despreza os seus modos; e quanto mais ele se afasta mais ela se torna excitável, maior é o desafio, e como ela gosta de os ter...     

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publicado por jaimepedrosa às 01:11
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Domingo, 16 de Julho de 2006

Pureza do interior

 

João reage: - Sim pai!

- Menina Lurdes em que a posso ajudar? Repara ela agora: Estava distraído...  

E neste primeiro contacto floresce uma empatia mútua. No regresso a casa, com o dever cumprido, pensa como seria ter um amigo rapaz; sentiu que era muito simpático e que possivelmente estaria na hora de criar novas amizades. Quando chega, revela com agrado a sua mãe a educação do jovem gerente da mercearia. Maria avisa-a para ter cuidado e não confiar nos rapazes. Desenvolve-se na sua imaginação o pensamento de como seria conviver com um rapaz tão simpático...

João tem cabelos cor de ouro que formam espirais, os olhos são celestiais, pele nívea, estilo britânico; um porte robusto numa face de menino, o filho que todas as mães adorariam ter principalmente pela delicadeza e bons princípios. Os pais simultaneamente severos e permissivos, educam-no cedendo às liberdades e incutindo-lhe responsabilidades. Ele irá ser o herdeiro dos Sousas, todavia a modéstia é a sua imagem...

A menina Lurdes não se teria apercebido da beleza exterior de João, são factos que neste estádio ainda não descortina, não constata. O menino apenas se poderia juntar ao seu grupo de amigos.

Ele nem é namoradeiro, a estrutura física e mental de homem combinam com uma timidez enorme para as raparigas; também convive em exclusivo com os seus amigos rapazes que tendo a mesma idade já falam frequentemente de mulheres, contando as suas aventuras e experiências verdadeiras ou, na sua maioria falsas, para impressionar o grupo e engrandecer o novato ego de macho. João, expectante e ansioso, desejava sentir o que tanto lhe falam e que dizem ser uma sensação magnífica; pretende, a breve trecho, passar pelas ditas emoções. Os curtos e escassos contactos com adolescentes do sexo oposto ainda não o haviam cativado de sobremaneira.

Agora, o impacto é incomparavelmente forte, a menina Lurdes é diferente de todas que viu e comunicou até ao dia de hoje; é diferente porque lhe mexeu com algo que até hoje ninguém conseguiu...

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publicado por jaimepedrosa às 22:45
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Sexta-feira, 14 de Julho de 2006

Pureza do interior

 

João pertence a uma das mais abastadas familias alentejanas, detentoras de grande parte dos campos de cultivo, descendente de um capitalismo proprietário. Todavia, o trato desprovido de superioridade, não discriminatório e humilde, tornam-no especial, uma figura adorável...

Lurdes, frequentemente desligada das realidades e concentrada nas lides domésticas, desconhece tamanha riqueza material dos Sousas. É uma tenra menina que se desprende de valores materiais, o contacto com a natureza é anestesiante, absorve-lhe os sentidos plenamente. O trabalho na quinta e a escola são as actividades da menina que, contudo, ainda brinca infantilmente com as colegas e amigas. De tudo isto, é a tratar dos animais e das plantações que se sente realizada, o campo é o seu habitat natural, aí nasceu e se desenvolveu; o amor ainda não despontou reaccção nela, ama as flores, o campo, a natureza.

No interior da loja, enquanto lança o olhar pelos produtos que a mãezinha lhe mandou trazer, João navega nas ondas de um cristalino e adormecido mar que o envolve no seu leito; o desejo parece agora desenvolver-se numa profunda adoração, uma sensação, para ele,  inexistente até hoje. Após esta longa e profunda viagem, Carlos surpreende seu filho que acorda do sonho: - Então rapaz! Não atendes a menina Lurdinhas? De facto, neste estado de êxtase, foi chamado por três vezes e só com o vozeirão do pai despertou finalmente...  

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Quinta-feira, 13 de Julho de 2006

Pureza do interior

 

Lurdes vive numa recôndita aldeia da planície alentejana, uma jovem que atingiu recentemente a maioridade. A infância passada num ambiente puro, limpo e saudável com brincadeiras de meninas na quinta de seus pais torna-se já distante, fez-se uma mulher bela e desejada por todo o local que passasse. 

Um tom de pele moreno, o corpo queimado pelo sol, um toque macio e fresco, o olhar ingénuo que perpassa dos olhos esverdeados que prendem a vista de que com ela se cruza; as formas naturais e arredondadas fazem dela uma escultura que se desloca num andar inocente de quem não é consciente do objecto de adoração que se tornou;os cabelos negros brilhantes que recebem o tratamento mais rudimentar da simples e indispensável higiene e o peito favorecido pelos pratos típicos feitos por sua mãe Maria. A menina Lurdes deixou de o ser...

 Certo dia, Maria, numa habitual deslocação das que faz para obedecer aos recados de sua mãe e colaborar nas tarefas domésticas,  foi à mercearia com mais clientela que tinha como gerente o filho do dono Carlos. João era também jovem como Lurdes e até então, certamente por distracção, nunca tinha reparado que a Lurdinhas, como era carinhosamente chamada pela vizinhança, se tinha tornado numa bela mulher. Eis que neste preciso dia os seus olhos admiraram-na com um desejo que o seu corpo nunca conheceu, não conseguiu desviar o olhar sonhador de tão feliz contemplação, deliciava-se com a pureza, vivacidade, ingenuidade de menina em corpo de mulher irresístivel e tentador...   

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publicado por jaimepedrosa às 23:21
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