Quarta-feira, 27 de Setembro de 2006

Para que te quero?

 

Os pais foram passar o fim-de-semana no turismo rural minhoto, Eduardo perfaz vinte e três anos e considera-se feliz, tendo tudo para o ser.

Um rapaz já licenciado em economia a gerir as empresas de família. O jovem em quem se pode confiar, que inspira segurança. Tudo combinado e organiza-se festa de arromba com os amigos na casa de praia. Junto ao mar, a localização é propícia. Com o Mercedes estacionado à porta da garagem, o jardim imenso com luzes indirectas e palmeiras, divertimentos para crianças e adultos, tudo luxuoso, tudo imponente. Não há nada que falte, a comida é farta e de qualidade servida na sala de jantar exageradamente iluminada de pormenores vistosos perceptíveis ao mais distraído dos convidados. Estes, vestidos com a mais recente moda. Entre rapazes e raparigas seriam uns quinze. Aqui todos se conheciam, jovens bem sucedidos e de famílias ricas do Grande Porto. Alguns casais e outros sozinhos. Junto à piscina estavam colocadas mesas com aperitivos de requinte e todos se reuniam a pôr a conversa em dia, a confraternizar como já é habitual em outras ocasiões similares. Uma música ambiente que os relaxa numa envolvênvia de conforto e bom gosto. O fim-de-semana era por sua conta, Eduardo era livre como já vinha sendo hábito e havia de disfrutar os prazeres da vida para compensar os dias passados a trabalhar com a responsabilidade inerente à função que exerce e para a qual o pai apenas confia no filho único e competente que tem.

- Pessoal estejam à vontade! A casa é vossa. Hoje é para curtir - dizia descontraídamente com os olhos brilhantes de satisfação por este momento de convívio. Eduardo sempre extrovertido, responsável mas com gosto pela diversão desde que atingiu a maioridade e necessariamente dispôs de mais liberdade. Não tinha namorada e também não era coisa que o preocupasse. «Para que me vou prender com esta idade.» era a resposta às incómodas perguntas que lhe colocavam relacionadas com o tema. E de facto, ele queria era gozar a vida, sair com regularidade. É um jovem bem parecido e que ostenta naturalmente a situação social priveligiada em que vive. As boas roupas, perfumes e carros em que se transporta não escondem o mimo com que é tratado e a real riqueza que o rodeia. Com o típico penteado «à beto» num cabelo loiro liso, face de menino de olhos azuis, ocasionalmente bronzeado pelas viagens tropicais regulares, vestido de Gant ou Massimo Dutti, entre outras marcas, Eduardo não passava despercebido e rodeado de amigos e amigas de ocasião que se lhe associam pelo «status» da companhia e com interesses evidentes.    

publicado por jaimepedrosa às 17:09
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Sábado, 23 de Setembro de 2006

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FINAL DO 1º CONTO
publicado por jaimepedrosa às 15:37
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Pureza do interior

 

A decisão estava tomada e chegado o início do período lectivo, João naturalmente segue para Coimbra. Porém, desta vez vai acompanhado. Ela distanciou-se inevitavelmente da mãe e esta trata-a com desprezo. Nas vésperas da partida - Se achas que é o melhor para ti segue a tua vida como entenderes - palavras de secura fria, de indiferença. Com mágoa e revolta por ter descoberto que vivia num mundo falso, não são raros os momentos em que chora às escondidas, ele com beijos de consolo não consegue esbater totalmente o sofrimento.

Já em Coimbra, de malas em punho, instalam-se no habitual apartamento que é de João há quatro anos. Agora as circunstâncias motivaram-no a procurar emprego, trabalhando de dia e estudando à noite. Enquanto realiza trabalhos na sua área, Lurdes conseguiu logo colocação num supermercado local. Afinal, com esforço conseguem ir contrariando a infelicidade e ser momentaneamente felizes.

É uma vida diferente, de auto-sustento; os pais de João ao saberem da companhia do filho cortaram a mesada que lhe conferiu sempre segurança e conforto de quem não passa necessidades. Agora, os tempos são de luta, o dinheiro é curto e os pais não imaginam o mal que lhe estão a fazer só por amar. Sem desistir, sem baixar os braços vão aguentando este ritmo. A força de vontade não passa despercebida a quem os contrata e vão assumindo mais responsabilidades. As retribuições aumentam, a situação vai melhorando.

Porém chega aos ouvidos dos pais de João que a situação dele é muito precária, alguém espalhou o boato, que como todos os rumores chega ao destinatário empolado e extrapolado. O arrependimento e os remorsos são pela primeira vez sentidos e a vergonha social leva-os a deslocar-se ao local onde ele está. Quando o vêm com um aspecto menos saudável e cansado de tanto trabalhar, um orgulho enche-lhes o ego e abraçam-no em lágrimas - Meu filho como estás tão magro - a preocupação maternal é agora real, a inutilidade da sua luta um facto e resta-lhes aceitar a decisão de João. Com algum distanciamento cumprimentam a namorada.

As saudades eram indesmentíveis e quedam-se na mesma cidade no fim de semana em que convivem com ambos e apercebem-se da delicadeza dela, da beleza que seduziu João e do carinho singular com que ela o trata. Aos poucos começam a gostar dela. Uma situação até agora tão imprevísivel e inesperada tornou-se realidade. O contentamento dos dois pela aceitação era resplandescente. Ao reconhecer a maturidade e sentido de responsabilidade de João têm agora um orgulho redobrado nele.

Os caminhos do amor não são escolhidos mas pré-definidos estranhamente pelo acaso. As promessas de apoio concretizam-se ao longo dos tempos, ele conclui o curso e fica colocado a trabalhar numa da maiores empresas nacionais de construção cujo sócio maioritário é amigo pessoal do pai. Ela, com a ajuda de quem a passou a sentir ao longo dos tempos como uma filha, estuda de noite no ensino superior num curso de enfermagem, e com o empreendedorismo e auto-suficiência que a caracteriza mantém o trabalho diário.

A triste sina de Lurdes tocou os Sousas que fruto de arrependimento da teimosia do passado materializam-no num carinho cada vez mais sincero por ela.

Porquê lutar contra o inevitável, combater o afecto sem compreender o que lhe subjaz, o que lhe dá a forma. Após disputas de emoção carregadas inúteis, com felicidade o coração acompanhou a razão.  Há forças que não se destronam pelo materialismo, a audácia protege muitas vezes os que lutam pelo ideal que têm em si, aquilo em que acreditam.

 Porque não lutar? Porque não acreditar naquilo que sentimos ser a nossa felicidade? Se nem sempre seguimos o que entendiamos e queriamos por medo, por conformismo cobarde, há um dia em ao romper com o pré-estabelecido chegaremos onde a alma sente a completude que converte na plena satisfação do ser espiritual, mental e físico...      

publicado por jaimepedrosa às 13:54
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Quinta-feira, 21 de Setembro de 2006

Pureza do interior

 

O dia a dia começa a tornar-se insustentável com constantes desavenças nas casas, João não é bem aceite, continuando a corresponder com um comportamento sempre educado. Os pais esperam que ao mudar-se para Coimbra na conclusão do curso esqueça este amor que acreditam ser passageiro. Ele anseia a chegada do momento do regresso à cidade dos estudantes sem esquecer que terá de deixar de ver quem ama, angustiado, já não sabe o que desejar, vive uma confusão mental irresolúvel. Ela receia cair no esquecimento, no isolamento com a mãe que rejeita.

- João, vais para Coimbra? - questões inquietas de quem ama e sente que ali está a única companhia amiga. - A situação está muito má e tenho de acabar o curso que gosto e pelo qual sempre lutei, mas estaremos juntos nos fins de semana - pensando que consolava a cada vez mais perturbada mulher que depende de si. Ela chora de raiva e de despero - Tudo me corre mal! Agora que te conheci, vais-me deixar ficar sozinha... - as lágrimas escorrem limpídas na face cansada de sofrimento... A inércia enervante de João resulta da impotência em corresponder a tudo como pretendia. - Vou contigo. Nada me prende aqui, és a única pessoa que tenho neste Mundo; choram ambos, ele não se controla ao sentir como era vital para alguém que não vive sem o seu carinho. 

Com a coragem que os uniu decidem sair os dois para Coimbra contra tudo e todos, não podiam abandonar o que inexplicavelmente construiram com um carinho sincero. As faces mudaram, as lágrimas secaram e deram lugar a sorrisos nervosos e felizes...estes dois tornam-se inseparáveis subitamente com uma força instransponível.

Os planos teriam de ser bem organizados para que não fossem descobertos pelo menos no imediato. Encontrando-se no ninho de amor, proibido pelos pais quando souberam e que João com astúcia conseguiu superar com um duplicado da chave, selam o pacto com um prolongado beijo com sabor de ácidas lagrimas e força de amar na união da carne.

As barreiras colocadas vão sendo derrubadas, à medida que isto acontece fortalece o sentimento puro de uma compatibilidade que se adquire uma vez, quando nesse preciso momento se agarra o complemento do ser que somos cada um de nós. Numa ingenuidade natural, a precocidade de tão forte e antagónicamente madura convicção é uma mera sensação. Todavia, o futuro encarregar-se-á de demonstrar inteligência da decisão, desta vinculação, aderência irracional; um dia mais tarde comprovarão o acerto ou desacerto de uma opção, que tomada e mantida com tamanha veemência deverá materializar-se na solidez afectiva de quem ultrapassa tudo a dois contínua e progressivamente...           

publicado por jaimepedrosa às 12:20
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Segunda-feira, 18 de Setembro de 2006

Pureza do interior

 

O pai de Lurdes piora a um ritmo perigosamente irremediável, nada o deverá salvar do inevitável fim. Na tristeza dos dias passados no hospital a visitá-lo e no trabalho árduo diário, Lurdes vai perdendo o ânimo e só a companhia de João a compensa e lhe traz a paz precária, momentânea...

João, pressionado pelos pais que desejam impedir a união de seu filho: - Vais-te juntar à plebe?- questionam com arrogância; com indiferença vai inteligentemente evitando confrontos que em nada resultarão. As mentalidades e o apego aos materiais não se transformam e espera que o tempo ajude à evolução favorável de convicções actualmente irrepreensíveis.

Em casa o ambiente já não é saudável como outrora, os tempos mudaram e o menino que era tão querido e perfeito é colocado à margem, moderadamente abandonado na esperança de um retractamento breve como se de um crime se tratasse e de que não se poderá responsabilizar pelos comandos do coração. Os que se diziam amigos olham-no de lado por se separar da classe que pensam ser superior, excepto alguns poucos e bons que o procuram pela pessoa e não por um espírito de associativismo bacoco dos poderosos e dos pretensamente ricos que igualmente existem em grande número. Nada o demove porém e predispõe-se a lutar pelo que acredita ser a felicidade. Ela sente cada vez mais que ele é a pessoa perfeita para a acompanhar e, receando um afastamento provocado por pressões externas, é-lhe grata, reconhecida e admira-o.

Tempos passados e a morte chega, a certeza do desaparecimento de um pai severo mas amigo é sentida com dor profunda. O impacto ultrapassa limites quando sabe do envolvimento da mãe com outro homem, descobrindo que ela o enganava na doença.

Lurdes não consegue acreditar no Mundo que vive e que nunca esperou que se apercebesse tão cedo e com tanta mágoa. Que mulher era esta que se esforçava por transmitir os valores morais à filha e actua com tamanha falta de sentimento e de escrúpulos.

Ela omite o que sabe com um rancor e repulsa disfarçáveis apenas por um natural e sincero mas previsível sofrimento que a face não desmente. Que vergonha que ela tinha desta mãe miseravelmente adúltera. A necessidade faz com que reparta a mesma habitação,mas escapando o máximo possivel a um convívio hipócrita que a enfurece.   

publicado por jaimepedrosa às 16:32
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Sexta-feira, 15 de Setembro de 2006

Pureza do interior

 

Acordam e beijam-se; agora lembram-se: - Os meus pais...dizem em uníssono preocupados de forma súbita. Uma vez que o risco estava consumado, cabia-lhes remediar. Ao chegarem a casa a meio da manhã, questionados sobre o invulgar desaparecimento refugiam-se em tão ligeiras quanto convincentes explicações. Que alívio e prazer de aventura sentem.

O pai de Lurdes adoece, a tosse provocada pelo vício do cigarro consome-o com apetite voraz e diagnosticam um cranco pulmonar com raízes que o matarão num espaço de tempo reduzido. Ela e a mãe choram com a triste certeza da perda do homem da casa. Entre tratamentos hospitalares e descanso, a miséria acentua-se, uma moral deprimida e dificuldades intermináveis. 

O ombro amigo de João salva Lurdes do desespero e o amor entre eles cresce à medida que os problemas se intensificam.

Os pais de João naturalmente se apercebem da agitação diária e permanente do filho e adivinham que existirá um amor escondido, interrogando com insistência e ele negando tudo. Porém, a veemência da negação faz seus pais acreditar cada vez mais que as suas convicções terão razão de ser.

Numa das escuras noites em que João sai, o pai segue-o e sem ele se aperceber apanha-o a beijar Lurdes.

O mistério estava desfeito e o pai, materialista antagónico a seu filho, receia o envolvimento com uma mulher simples, de nível social inferior. As preocupações absorvem o pensamento do casal Sousa que conferencia continuamente sobre esta evidência recente.

A situação precária de Lurdes poderá aliar-se às dificuldades impostas pelos conhecedores deste romance e ser areia que combata o andamento de um motor vigoroso, de um amor na flor do tempo, restando saber como continuarão a reagir aos constantes, crecentes e contínuos problemas...     

 

publicado por jaimepedrosa às 17:53
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Terça-feira, 12 de Setembro de 2006

Pureza do interior

 

Após o jantar e cansada de trabalhar chegava o fim de semana. Lurdes vai para o quarto.

Ao sentir bater na janela novamente, levanta-se com uma energia inesperada. Hoje o risco ia ser maior e corajosamente partem rumo a uma das casas dos Sousas, uma rústica habitação com moderno requinte de interiores, uma surpresa que João lhe queria proporcionar.

 O cansaço já não existia agora, a emoção sobrepunha-se-lhe. Noite escura, avistam o paraíso,o esconderijo, o ninho como João com malícia carinhosa e inofensiva lhe chamava. Ela, surpreendida com um luxo que nunca havia contemplado, mantém-se muda e observa os sofás macios de pele clara, modernas tecnologias que nunca os seus olhos tocaram. Insegura por esta qualidade de vida díspar da sua, porém segura do que sentia...

Ele mostra-lhe tudo, mas com a modéstia própria que sempre tem; ela fascina-se com os pormenores de bom gosto, as luzes indirectas, os lençois alvos acetinados sobre camas sólidas de design simples, a lareira: - Que linda casa que tens João! - diz ela sem pretensões e ele tímido acata: - Não é minha, mas sim dos meus pais. Esta humildade dá-lhe segurança e tranquilidade, excita-a, ela não aguenta mais sem senti-lo a abraçá-la. Ele dá-lhe a mão e beija-a na face com a ternura que a arrepia, toca-a no braço e envolve-a no seu corpo forte, conforta-se e solta-se. Com beijos sôfregos e quentes, num ambiente tranquilo a razão é esquecida e o coração actua a uma só força...o calor humano era tórrido...

Lurdes traz um vestido leve e fresco num corpo suado; a inquietude da inexperiência mescla-se com a força e potência de dois jovens apaixonados. Ele toca-lhe os cabelos negros com um vigor de desejo e provoca-lhe uma respiração forte e ofegante; descontrolada já Lurdes tira-lhe a camisa suave com força e os corpos contactam com veemência feroz:

- Eu amo-te! Diz-lhe ele e o entusiasmo crescente dispara, as carícias são mais intímas, descobrem os segredos que sabiam que os corpos tinham, mas sem a experiência que o confirmasse: - Como é bom meu amor!- Tudo se consuma, encaixam-se com a singularidade de quem realmente se ama. Uma infindável descoberta de emoções e prazer e o conforto da companhia desejada...

Com um saudável desgaste físico adormecem entrelaçados e desnudados. Acordando a meio da noite, João contempla-a, era de uma beleza sem igual, que saudável e pura menina lhe agarrou o coração, acordou o espírito.

Um sensual erotismo era o quadro de uma cama em que os dois dormem agora descobertos com o quadril largo geométricamente desenhado em destaque e a perna morena suavemente colocada sobre as dele, a cabeça assente no peito ginasticado e as mãos nos visíveis e chamejantes seios...

Uma vista de ternura com um aparatoso e ingénuo erotismo...     

publicado por jaimepedrosa às 16:31
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